Durante todo o desenvolvimento da história humana, a Tuberculose sempre esteve presente. Na segunda metade do século XIX foi possível conhecer o micróbio causador da doença, o Mycobacterium tuberculosis, isolado em 1882 pelo pesquisador alemão Robert Koch. Ficando conhecido como bacilo de Koch (BK). Em 1944, sessenta e dois anos depois, foram descobertos os primeiros medicamentos capazes de eliminar o bacilo da tuberculose.
Usualmente a tuberculose ataca os pulmões, causando uma condição conhecida como tuberculose pulmonar. O bacilo causa escavação nos pulmões, mas pode também afetar a coluna, arcos costais e parte do corpo. É uma das principais doenças, causadora de altos índices de morbidade e mortalidade no mundo, especialmente em países em desenvolvimento. “Com a AIDS a questão da Tuberculose volta de forma dramática. Ressurge como uma das infecções oportunistas mais comuns entre portadores de HIV e atualmente atinge principalmente a população pobre. Cerca de 20% dos pacientes, no momento do diagnóstico da AIDS, apresentam Tuberculose”, diz o médico cirurgião-torácico Samir Abu El Haje.
Os principais sintomas são: febre, tosse escarro por mais de três semanas, cansaço, perda de apetite, emagrecimento, suores noturnos e mal estar. Mais de 90% dos casos de tuberculose são pulmonares, mas a doença pode atingir várias outras partes do corpo (pele, rins, meninges, etc). “O diagnóstico precoce da doença facilita o tratamento”, explica o médico.
Ao perceber os sintomas acima é importante procurar um médico que irá realizar alguns exames, como o de escarro. Se o exame do escarro for positivo será suficiente para a confirmação do diagnóstico. Se necessário e possível também será feita radiografia do tórax e outros exames (de sangue, etc.). Sendo o diagnóstico confirmado, geralmente pelo exame do catarro (isto é, encontrando-se o bacilo causador da tuberculose – o bacilo de Koch), o tratamento deve ser feito com esquema padronizado de remédios fornecidos nos postos de saúde das Secretarias da Saúde do Município ou do Estado. Os remédios não custam nada ao paciente.
O tratamento deve ser feito regularmente, durante 6 meses. “Quem usa os remédios corretamente, consegue se curar. Não basta aliviar os sintomas, deve fazer o tratamento completo”, ressalta Abu El Haje. De acordo com o médico o paciente pode levar uma vida normal durante o tratamento. Pode trabalhar, pode estudar. Deve alimentar-se normalmente; não é necessário nenhuma super-dieta. E lembrar que a tuberculose é uma doença contagiosa, e que quem convive com um doente deve ser avaliado, pois pode também ter adquirido a doença.
No Brasil, estima-se que a média anual brasileira de casos novos nos últimos cinco anos é de 85 mil notificações, com cerca de 6 mil mortes por ano. Atualmente, o país apresenta 70% de índice de cura dos casos tratados e cerca de 12% de abandono do tratamento. A tuberculose é transmitida pelo ar, por isso deve-se tomar muito cuidado quando um doente espirra ou tosse perto de uma pessoa saudável.
No Brasil, a vacina BCG é prioritariamente indicada para as crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para crianças menores de um ano. Recomenda-se vacinar as crianças em idade escolar, por volta dos 6 anos de idade, independente de terem ou não sido vacinadas quando bebês. A vacina BCG pode ser simultaneamente aplicada com outras vacinas, mesmo com as de vírus vivos.
Perguntas Freqüentes:
01 - Como a tuberculose se dissemina?
De pessoa para pessoa e não por insetos, transfusão de sangue ou pela água. Da mesma forma que um resfriado comum - e ao contrário da AIDS - a tuberculose se dissemina pelo ar e até mesmo por contato relativamente casual. Apenas pessoas que estão doentes com tuberculose pulmonar podem disseminar a doença. Quando estas pessoas tossem, conversam ou cantam, os bacilos da tuberculose são expelidos para o ar, onde podem permanecer em suspensão por horas.
02 - Como eu posso me infectar?
Você pode infectar-se inalando os bacilos da tuberculose que alguém expeliu para o ar. Uma única respiração de um único germe pode infectar você, embora usualmente uma exposição prolongada seja necessária para tal. Membros da família, colegas de trabalho e amigos de pessoas doentes com tuberculose, tem maior risco de tornarem-se infectados. Um terço da população mundial - 1.9 bilhão de pessoas - são correntemente infectadas com o bacilo; a cada segundo uma pessoa torna-se infectada pelo bacilo da tuberculose.
03 - Toda pessoa infectada torna-se doente?
A maioria das pessoas que estão infectadas nunca ficará doente, uma vez que seu sistema imune encurrala o bacilo. Apenas 5 ou 10% das pessoas infectadas adoecerão. Cientistas não têm certeza porque algumas pessoas infectadas tornam-se doentes enquanto outras não. Sabe-se, entretanto, que pessoas com o sistema imunológico enfraquecido têm uma maior possibilidade de tornarem-se doentes com tuberculose. Por exemplo, um paciente HIV positivo infectado com o bacilo, tem, no período de um ano, 30 vezes mais chance de tornar-se tuberculoso do que uma pessoa HIV negativo.
04 - Quais são os medicamentos usados para combatê-la?
Uma pessoa doente poderá usar uma combinação de três diferentes drogas. Embora o tratamento para tuberculose dure 6 meses, em média, a hospitalização nem sempre é necessária.
05 - Existe uma cura?
Se o paciente tomar as medicações prescritas pelo médico a cura é alcançada em mais de 95 % dos casos. É muito importante que o paciente tome regularmente a medicação, não interrompendo o tratamento mesmo que se sinta muito melhor. Muitos dos bacilos irão permanecer vivos e escondidos em partes remotas dos pulmões. Estes remanescentes irão se tornar mais fortes e mais agressivos. Eles irão se multiplicar rapidamente e criar outros bacilos mais fortes se for dada a eles, esta oportunidade.
06 - Como posso me defender e prevenir?
A menos que uma pessoa se isole totalmente de todo o contato humano, existe pouca coisa a fazer para evitar de se tornar infectado. Entretanto, há muito que o governo e os trabalhadores em saúde podem fazer para interromper esta epidemia. É do interesse de todos que as pessoas doentes com tuberculose sejam curadas. Curar uma pessoa doente com tuberculose é a melhor maneira para prevenir a disseminação da doença para outras pessoas.
07 - Como vencer a tuberculose?
A estratégia da Organização Mundial da Saúde para derrotar a tuberculose é simples. Programas mais efetivos para o controle da tuberculose são necessários na maior parte do mundo. A Organização Mundial de Saúde recomenda que a medicação administrada seja assistida pelos profissionais de saúde. Se todas as pessoas que tornaram-se doentes com tuberculose a cada ano recebessem esta assistência, cerca de 30 milhões de vidas poderiam ser salvas na próxima década e 300 milhões de novas infecções poderiam ser prevenidas. E esta é a única maneira de evitar que a ameaça global da tuberculose multidroga resistente se faça presente na próxima década.
08 - Qual a influência da tuberculose no trabalho?
Nenhuma doença está afetando mais a economia mundial que a tuberculose. Das 15 milhões de pessoas doentes, 11 milhões estão nos anos mais produtivos de suas vidas.
09 - O que é a vacina BCG?
A vacinação com o BCG (Bacilo de Calmetti-Guérin) é uma medida importante no controle da tuberculose. O país adota a vacinação BCG como uma das medidas de controle da tuberculose, prioritariamente indicada para as crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para os menores de um ano. O Ministério da Saúde recomenda vacinar os recém-nascidos, ainda na maternidade, com peso igual ou superior a 2 Kg e sem intercorrências clínicas. Para filhos de mães portadoras de HIV / AIDS, a vacinação deve ser feita aplicada, desde que não apresentem sintomas da doença e acompanhadas pelas unidades de referência para AIDS. É também recomendada para trabalhadores da saúde com prova tuberculínica negativa, que atendem habitualmente tuberculose e AIDS.
10 - Como a tuberculose é transmitida?
Desde a antiguidade é reconhecido que a tuberculose é uma doença que se transmite por contágio aéreo. Os egípcios já isolavam os seus doentes e, por esta e outras medidas, eram considerados por Heródoto como um dos povos mais sadios da antiguidade. A comprovação científica da transmissão aerógena, entretanto, só acontece em 1865, demonstrada por Villemin, que promoveu o contato de doentes com animais de laboratório e obteve nestes a doença.
Estudos definitivos comprobatórios sobre a transmissão aerógena e a forma como esta ocorria devem aos trabalhos cooperativos entre o Hospital dos Veteranos de Baltimore e a Escola de Higiene e Saúde Público da Universidade de Johns Hopkins, em Maryland (USA), pelas equipes lideradas por Wells, Ratclife, Crumbs e outros, demonstrando que apenas partículas com bacilos em suspensão e ressecadas no ar podiam contaminar. Outros trabalhos mostraram que os que transmissores da doença eram pacientes com tuberculose pulmonar cavitária e tossidores (foco), capazes de eliminar bacilos infectantes para as pessoas de seu convívio (contactantes), especialmente os mais íntimos (moradores da mesma casa, mesmo quarto e mesma cama).
A vacinação BCG é uma medida de proteção contra a transmissão da tuberculose, na medida em que estimula as defesas do organismo contra o bacilo, inclusive os que apresentam multirresistência às drogas. Uma transmissão bem sucedida exige um certo tempo de convívio, calculado entre 200 e 300 horas, para a população geral, com muito menos tempo para os que apresentam deficiência em suas defesas imunológicas os não infectados anteriormente e os não vacinados. Assim, as pessoas mais fáceis de contaminação são as crianças, os velhos e aqueles com deficiência de defesas imunitárias rebaixadas (ex.: portadores de AIDS, subnutrição, diabetes, leucemias, doenças consuptivas, usuários de drogas injetáveis independente da AIDS, os não vacinados ou com prova tuberculínica negativa).
11 - Qual o papel da baciloscopia de escarro na tuberculose?
O exame baciloscópico do escarro é o método "mais importante, tanto para o diagnóstico, como para o controle de tratamento" da tuberculose pulmonar no país, segundo o Manual de Normas para o Controle da tuberculose do Ministério da Saúde.
Fonte: Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Ministério da Saúde
Dr. Samir Abu El Haje
Cirurgião Torácico – CRM 5628
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica
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