A timidez, que deixa as pessoas vermelhas, pode ser definida como um desconforto diante de situações sociais, que atrapalham o indivíduo na conquista de seus objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais. O que muita gente não sabe é que todos nós somos, ou já fomos afetados por esta sensação, já que ela funciona como um verdadeiro "regulador social", pois nos atribui culpa e vergonha. Este sintoma se faz necessário para a sociedade, pois evita os excessos que poderiam transformar em um verdadeiro caos o nosso dia-a-dia. A maioria das pessoas tem uma timidez situacional. Alguns desenvolvem uma excessiva manifestação dos sintomas que tem um fundo psicológico mas, uma porcentagem, que não é pequena, tem uma repercussão externa de rubor facial, tão intensa e sem relação direta com seu lado psicológico, que merecem uma avaliação mais rigorosa.
A vermelhidão facial é uma resposta normal e fisiológica a uma variedade de estímulos emocionais como: vergonha, tristeza, solidão, depressão, ansiedade e baixa auto-estima, sendo causada por estimulação do sistema nervoso simpático que é autônomo e involuntário, regulando muitas das nossas funções sem o controle da nossa consciência como: o ritmo da respiração, os batimentos cardíacos, a produção de suor e o rubor facial. Por ser um sistema com mecanismo involuntário, a própria ansiedade pode ser a agravante dos sintomas, dependendo da tendência constitucional de cada pessoa.
A vermelhidão fisiológica normalmente, ocorre nas situações emocionais especiais, aparecendo e desaparecendo rapidamente. A maior intensidade, a freqüência constante e o tempo de duração mais longo, são alguns dos indícios na diferenciação das pessoas que ficam com a face avermelhada pela timidez situacional, daquelas que têm o rubor facial propriamente dito.
O Rubor Facial, também conhecido por alguns como “Fobia Social” ou “eritrofobia”, é muito mais freqüente do que podemos imaginar. Estas pessoas ficam na maior parte do dia com uma coloração variando do róseo ao vermelho. O calor exagerado associado com rubor facial é pouco entendido e muitas vezes não reconhecido pela maioria da população incluindo os próprios médicos.
Geralmente estas pessoas sentem “um calor" na face. Este calor facial exagerado é traduzido muitas vezes como “vergonha intensa” e pode vir acompanhado por “formigamento na face” e durar alguns minutos ou até mesmo horas. O rubor pode estar presente na parte superior do tórax, na base do pescoço e também se estender na direção da testa e orelhas. Nas situações mais graves, chega a atingir o centro do tronco até as pernas. Com alguma freqüência, estas pessoas têm associado o excesso de suor, conhecido como hiperidrose.
Muitos pacientes têm descrito a sensação de aumento de temperatura na face como “flash (relâmpago) de calor” ou “vergonha súbita”. Quando presente, esta sensação pode envolver a região crânio-facial, o pescoço e as orelhas fazendo com que estas pessoas procurem um lugar para esconder-se, até “esfriarem”.
Esta condição clínica causa ao indivíduo perda da sua naturalidade e com isso seus resultados profissionais e pessoais caem muito, já que sua capacidade de concentração fica muito prejudicada. Sua auto-estima se perde. Muitos não conseguem permanecer no mesmo emprego por muito tempo e vão trocando de trabalho com muita freqüência.
Existem algumas medicações que são usadas com a intenção de diminuir o rubor facial e aliviar a sensação de desconforto. Tratamentos medicamentosos com beta-bloqueadores, ansiolíticos e anti-depressivos já foram tentados, mas os resultados, na maioria das vezes, são frustrantes. Atualmente, a propedêutica efetiva com grau de satisfação acima de 80% para o rubor facial, propriamente dito, é o tratamento cirúrgico, que atuará sobre o responsável pela estimulação do rubor na face que é o nervo simpático.
Esta cirurgia conhecida como simpatectomia vídeo-torácica é realizada usando-se um equipamento de vídeo-toracoscopia que propicia um grau de agressão cirúrgico muito pequeno e satisfação muito grande. A cirurgia é realizada sob anestesia geral. Uma vez anestesiado, dois pequenos orifícios (5-10 mm) são feitos no tórax. Um endoscópio, que gera imagens para uma câmera de vídeo, é introduzido por um dos mínimos orifícios. Identifica-se a cadeia do nervo simpático. Através do outro orifício introduz-se um instrumento cirúrgico que irá remover uma parte específica do nervo simpático principal. Depois que um lado é completado, repete-se o procedimento do lado oposto.
A cirurgia é muito segura e as complicações não são comuns. O tempo de internação é menor de 24 h, com o retorno as atividades cotidianas é muitíssimo rápido. Atualmente é a esperança que estas pessoas têm para exterminar de suas vidas um drama que as acompanha e atrapalha no dia-a-dia.
A resposta ao tratamento depende do organismo de cada paciente. A probabilidade de sucesso é variável. Espera-se cura próxima a 70-80% e a satisfação pelo resultado é em média superior a 90%.
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